A difícil arte de se relacionar



Vocês já repararam o quanto viver em meio a outras pessoas é estressante? Especialmente porque a batalha mais difícil desse convívio é ser você mesma? Ora você precisa se fantasiar de princesa, ora de freira, ora de puta. E assim vai, de acordo com o mood ou com a temperatura. E é tanta gente que encontramos ao longo de um dia que algumas vezes chego a pensar que somos todos esquizofrênicos.

“Ok, estou para esbarrar com meu professor, hora de me comportar como uma pessoa séria. Ops, mas lá vem meu ‘paquera’ e eu preciso parecer safada. E agora, safa ou séria? Qual escolher? Uhnnn!”. E nessa de escolhe um ou outro, você acaba ficando... Sem sucesso!

Ser você mesma? Por quê? Pra quê? O melhor mesmo é vestir uma roupagem a cada encontro. Agora eu sou a mocinha da mamãe, mas daqui duas horas serei a cult entre meus amigos. E o pior é que somos condicionados a agir assim desde o momento em que somos concebidos. Nossos pais já faziam isso, e os pais deles, e os pais dos pais deles. Como quebrar a corrente? Como? Existe como? (Notem o desespero).

Particularmente, eu penso que mais difícil que vestir uma roupagem a cada encontro seria manter sua própria roupa, independentemente de quem vem pela frente. E por seu estilo pessoal eu quero dizer os vários estilos que compõe cada um. Ninguém é só princesinha, nem só safadinha, nem só uma inha qualquer da vida. Cada um é um amontoado de estilos e personalidades e cada uma delas merece se expressar. Mas que esse momento não esteja vinculado às pessoas com quem você vai se encontrar.

Alguém seria capaz de viver assim? Ou viver a mercê dos outros é mais fácil aos olhos de quem vive? Ah, as perguntas que não se calam jamais.

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